quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Quase romântico...




Os dias em que fui tão romântico.
Fui um fora de série, diria.
Fui mesmo.
Até me surpreendi. Senti-me um D. Juan.
Era chegar a casa, pegar numa quantidade de velas… acender cada uma delas.
Espalhar pela casa…
Na entrada, na sala, na cozinha…
Até no WC… para ver a dança da chama dessa vela, em sintonia com o meu corpo. Reflectidos nas paredes…
No quarto espalhava umas quantas à volta da cama… enquadradas umas com as outras. Deixando aquele brilho e aroma percorrerem aquele canto tão meu, tão especial.
Os cheiros de umas fundiam-se com outras… Cada passo que dava, era um novo cheiro. Um cheiro por mim criado.
As rosas misturaram-se com o mel.
A canela com a avelã.
A baunilha misturou-se com o aroma de frutos silvestres.
Confesso que o meu coração palpitava cada vez que inalava cada um desses cheiros. Todos eles, faziam de mim uma pessoa melhor.
Cheguei a estar a despir-me e ver o meu corpo reflectido numa das paredes. Reflectido por aquela chama. Aperfeiçoado pelo aroma a canela.
Senti-me apetecível. Diria, irresistível.
Jantei à luz das velas. Eu, aquela luz, aquela fusão de cheiros.
Passado uns dias…
Tudo mudou!
Veio o técnico da EDP e finalmente ligou-me a luz.
Agora o encanto passou. Mas ao menos já encontrei o sabonete que tinha caído enquanto tomava banho no outro dia.
Encontrei os ditos boxers que tinha atirado ao ar num dos meus momentos de loucura. Ao fazer um strip ao som dos gemidos dos meus vizinhos e à luz dessas velas.

Terminou assim uns dias do meu “ eu “ romântico

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