quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Fomos nós...




Não há prazer, sem entrega.Não amor, sem vontade…
Desculpem aqueles que não me entendem… Aqueles que não percebem…
Os que não conseguem ler, nem sentir o que aqui escrevo.
É na palma das minhas mãos, na ponta dos meus dedos que te carrego. 
Cada peça de roupa retirada com carinho, umas eu, outras tu…
Caídas pelo quarto, espalhadas na cama, na cadeira…
Teu corpo nu, colado ao meu. Corpos imperfeitos que unidos... ficam perfeitos.
Encaixe magistral.
Amor sem pudor.
A ponta dos meus dedos, ainda sente a tua pele arrepiada.
Deitada, numa cama feita e desfeita vezes sem conta.
Minhas mãos percorreram-te desde os dedos dos pés até à ponta dos cabelos, onde carinhosamente, esses cabelos se envolvem entre os dedos, criando laços. Criando o nosso toque…
Meu corpo já se encontrava colado ao teu, minhas pernas abrem-se, para afastar as tuas, teus joelhos.
Sem te falar, percebias que as queria por cima das minhas, elevadas…
Deixando-me cair sobre ti, sobre o teu peito. Meus mamilos roçavam nos teus, minha barriga na tua.
Minhas mãos nos teus cabelos, meus lábios no teu rosto, nos teus lábios, no teu pescoço…
Tuas mãos nas minhas costas, marcando-me desde o rabo até ao pescoço…
Nossos olhares, pediam amor, pediam entrega.
Foi então que as nossas almas se entregaram. Envolvemos os nossos corpos.
Fomos um só corpo, duas almas, dois sorrisos com olhares sinceros.
Entrei em ti, entreguei-me a ti, tal como te senti em mim. Dentro um do outro, carinhosamente embalados pelos movimentos suaves que os nossos corpos levavam.
A transpiração tomava conta do nosso rosto, os nossos beijos marcavam os nossos lábios, o nosso encaixe era perfeito. Sentíamos as nossas almas unidas e ali, dançavam elas, bem junto aos nossos corpos, ao som dos nossos gemidos. Iluminadas pelo brilho do nosso olhar… 
Sorrindo enquanto sorriamos...
Perdemos o ar, caímos um no outro, abraçados, ali ficamos.
Após deixar tanto de mim, dentro de ti…
Não foram só dois orgasmos sentidos ao mesmo tempo, ao som do silêncio que se fez sentir, das nossas respirações ofegantes. 
Foi entrega.
Fomos nós…
Ali, abraçados num espaço de tempo que voa a teu lado, num espaço de tempo que morre lentamente quando estás longe…
Ali, levanto-me e sorrio ao ver o teu brilho.
Nem as duas lágrimas que me escorrem e caiem directamente nos teus lábios, me fazem deixar de sorrir, ao ver-te sorrir.
Percebeste que não chorava por tristeza… chorava porque me entreguei a ti.
Porque não foi sexo, não é paixão. Nem posso dizer que tenha sido amor.
Mas fomos nós… fomos dois corpos imperfeitos, com encaixes perfeitos em momentos únicos.
Que jamais, iremos esquecer.
Nossas almas, ali ficaram… admirando na fila da frente, dois seres mortais, se entregando como imortais.


Sem comentários:

Enviar um comentário