segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Amor de verão?



Verão…
Nós tivemos a nossa história, o nosso verão. Num outro ano, num outro paraíso. Mas foi a nossa história.
Hoje, aqui sentado nesta cadeira à porta desta casa vazia, tão vazia quanto a minha vida. Pego na minha caixa de recordações, a caixa onde guardo pedaços da nossa história.
Abro-a. Queres saber o que aqui guardo? Guardo as fotos rasgadas. Rasgadas num minuto de raiva e de imediato coladas. Volto a guardar cada uma delas.
Guardo a nossa, agora, velha história.
Guardo o malmequer que me deste na nossa última noite juntos. Malmequer que usaste durante todo aquele dia inesquecível. Hoje pouco ou nada resta dele mas, ainda o consigo desenhar com os olhos, tal e qual como foi em tempos, no nosso tempo. Na altura era a flor mais bela do jardim que percorremos de mãos dadas, debaixo de um calor infernal. Sinto falta desse calor, e tu, também sentes?
De volta à caixa… Tenho aqui imensas lembranças de ti.
Não havia facebook, não havia telemóveis destes modernos onde tudo é possível, com apenas um deslizar do dedo. Mas havia contacto, olhares e sentimentos partilhados a dois. Longe de tudo e de todos, perto do coração.
Aqui guardo o amor. Foste tu que me apresentaste o amor. Será que ainda há gente a quem o amor não tenha sido apresentado? Se tivesse uma lâmpada mágica com direito a um pedido, pedia que o amor fosse apresentado a toda a gente.
Nesse último dia. Dia do nosso verão. Verão onde me fizeste esquecer o divórcio e tudo aquilo que tinha perdido. Onde me fizeste ver que não há bem material que valha a pena, quando se tem amor.
Estávamos sentados à varanda, e de mãos dadas admirávamos o brilho da lua. Fomos presenteados pela lua. A sua luz, parecia um foco apontado a ti. Brilhavas tanto, tanto que foi possível ver a primeira lágrima a crescer no teu olho direito. A abandonar esse olhar mágico, e a percorrer o teu rosto até desaparecer nos teus lábios. Beijei-te o rosto e guardei essa lágrima salgada em mim. Ainda hoje sinto esse salgado quando à noite olho a lua.
Quando nos beijámos e quase perdemos o fôlego, senti que aquele poderia ser o nosso último beijo. E foi.
Nunca te contei. Enquanto caminhava para casa, para fazer a mala e voltar para o meu mundo cruel, o mundo que esqueci enquanto descobria o amor a teu lado. Eu chorei tanto, que já sem forças, me ajoelhei perante aquela lua, aquela luz e pedi que viesses atrás de mim para me dizeres que partias comigo. De joelhos, rezei a todos os deuses e à lua. Esperei, chorei e gritei até me faltar a voz.
Também nunca te contei, que já te procurei. Estás feliz, és mulher, mãe e avó.
Deixa-me fechar a caixa, para amanhã voltar a abrir, e a nossa história contar, a estas estrelas e lua que teimam em me iluminar e relembrar que já fui presenteado pelo amor.
A esta lua, que é tanto minha quanto tua. Espero que hoje a estejas a admirar, e a recordar a nossa história.

#L611 #BurningW

Sem comentários:

Enviar um comentário